Mais da metade dos evangélicos acha justificável o vandalismo em Brasília por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro

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Plenário do STF destruído por vândalos bolsonaristas em 08 de janeiro de 2023 (Foto: Carlos Moura/STF)
Plenário do STF destruído por vândalos bolsonaristas em 08 de janeiro de 2023 (Foto: Carlos Moura/STF)

Mais da metade dos evangélicos acha justificável o vandalismo após a invasão do Congresso Nacional, do Planalto e do STF por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro. É o que revela pesquisa Atlas/Intel.

Dois terços dos evangélicos afirmam que Lula não ganhou a eleição do ano passado e concordam que uma intervenção militar deveria invalidar o resultado da eleição presidencial.

O número de evangélicos que acham justificáveis os ataques é quase 13% maior do que a média geral dos entrevistados. Somando os que acham a invasão completamente justificada (17%) e os acham justificada em parte (33,5%), mais da metade dos evangélicos (50,5%) achou justificável a invasão do Congresso Nacional, do Planalto e do STF por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro.

Os números retratam um abismo de percepções entre os evangélicos e a opinião pública em geral. Enquanto a maior parte dos entrevistados reconhece que Lula venceu a eleição presidencial de 2022 – 56,4% ao todo – entre os evangélicos, apenas 28,1% concordam com tal afirmação. Em contrapartida, 67,9% dos evangélicos não acreditam que Lula obteve mais votos que o ex-presidente Jair Bolsonaro, número 28% superior à média geral dos entrevistados.

Talvez, por esse motivo, os evangélicos sejam o grupo religioso mais simpático à proposta de intervenção militar para invalidar o resultado da eleição presidencial. Nesse sentido, seis em cada dez evangélicos (64,3%) afirmam ser favoráveis à intervenção militar, enquanto menos de um terço deles (29,5%) se dizem contra. No geral, porém, 54,1% dos entrevistados afirmam ser contrários a uma intervenção militar e apenas 36,8% a favor.

Coincidência ou não, os evangélicos são também os religiosos com maior tolerância à ideia de uma ditadura militar no país. Embora 71% dos evangélicos sejam contrários à proposta, 15,5% deles se mostram favoráveis.

Na comparação entre religiões, o número dos evangélicos que aprovam a instauração de um regime autoritário no Brasil é 5% maior do registrado entre católicos e quase 10% a mais do encontrado entre ateus e agnósticos.

Não por acaso, os evangélicos são o grupo que mais aprovou a ação de manifestantes bolsonaristas que ocuparam o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o STF no último dia 8 de Janeiro. Em números proporcionais: 31,2% dos evangélicos aprovaram as invasões, cifra 17% maior que a encontrada entre católicos e quase duas vezes acima da média geral dos entrevistados (18,4%). A maior parte dos entrevistados (75,8%), contudo, desaprova os atos.

A pesquisa Atlas/Intel foi realizada com 2.200 pessoas entre os dias 8 e 9 de janeiro de 2023.

Fonte: Congresso em Foco (Observatório Evangélico) por Rafael Rodrigues da Costa*

* Rafael Rodrigues da Costa é sociólogo pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Pesquisador visitante da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atualmente Professor de Psicologia Social na Faculdade Fecaf.





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