Mídia critica participação de evangélicos nos atos de vandalismo em Brasília: “Nacionalismo evangélico”

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Imagens de manifestantes orando e cantando louvores se misturam com uma cena de guerra onde os prédios dos Três Poderes foram vandalizados, causando um prejuízo inestimável para a história do país.

A mistura do cristianismo e a política conservadora foi percebida durante todos os mais de 60 dias que cidadãos de diferentes partes do país ficaram acampados na porta do Quartel-General em Brasília.

Os discursos enérgicos contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levaram à prisão de pelo menos dois pastores: o cacique Serere Xavantes e o pastor Fabiano Oliveira, sendo este último preso na cidade de Vila Velha (ES).

Com a prisão de todos os mais de 1,2 mil brasileiros que estavam acampados em Brasília no último domingo (8), a imprensa iniciou seus ataques diretos aos líderes evangélicos que apoiaram Bolsonaro.

Nas redes sociais, eleitores de Lula pediam a prisão do pastor Silas Malafaia e orquestravam ataques nas redes de líderes conhecidos como o apóstolo Estevam Hernandes e o pastor Jorge Linhares. O deputado federal Pastor Marco Feliciano também foi atacado, assim como outras lideranças religiosas envolvidas com a política.

A revista de esquerda Carta Capital chegou a acusar as igrejas de ter um “papel central” na mobilização contra a eleição do petista.

“A religião é um aspecto importante para se examinar o que aconteceu ontem em Brasília, mas, até o momento, evangélicos não se envolveram com os movimentos golpistas com a mesma intensidade com que estiveram presentes na campanha presidencial de 2022”, diz trecho da publicação.

Já a Folha de São Paulo resolveu chamar de “nacionalismo evangélico” e comparar o que aconteceu no domingo com países como a Índia, onde o nacionalismo hindu persegue, oprime, prende e mata minorias religiosas.

“Embora os extremistas ainda sejam uma pequena porção de evangélicos, é inegável que, nos últimos anos, os populistas autoritários têm conseguido, com relativo sucesso, atrair esse público para suas agendas. Trata-se de uma mescla de fervor religioso, teorias conspiratórias, ativismo e messianismo”, diz um artigo assinado Gutierres Fernandes Siqueira, estudioso do cristianismo no país.

O texto fala ainda que os evangélicos foram atraídos para a “extrema direita” com o discurso contra a cultura promovida por “drogados e depravados sexuais” e pela visão escatológica do final dos tempos.

Redação Exibir /Leiliane Lopes

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