Paquistão prende mais de 100 pessoas acusadas a incendiar igrejas

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A província de Punjab, no Paquistão, está sofrendo com uma onda de violência religiosa que resultou na prisão de mais de 100 pessoas, após tumultos violentos que culminaram em ataques a mais de 20 igrejas e dezenas de casas pertencentes à comunidade cristã. Os incidentes foram desencadeados por alegações de que dois cristãos haviam profanado uma cópia do Alcorão, o livro sagrado do Islã.

Milhares de muçulmanos lideraram tumultos na cidade de Jaranwala, na província de Punjab, queimando igrejas e vandalizando casas de uma colônia cristã. As alegações incluíam a remoção de páginas do Alcorão e a suposta adição de conteúdo blasfemo a elas. A polícia chegou ao local cerca de 10 horas depois dos primeiros tumultos, o que levou a críticas e questionamentos sobre a resposta imediata às ocorrências.

Usman Anwar, chefe de polícia da província de Punjab, afirmou que a decisão de não intervir rapidamente foi tomada com o intuito de evitar uma escalada ainda maior de violência e a perda de vidas. No entanto, os moradores e líderes comunitários expressaram frustração com a demora na chegada das forças de segurança.

O incidente também resultou na prisão de pelo menos 128 pessoas por vandalismo em igrejas e propriedades cristãs. Os líderes religiosos da comunidade católica pediram por ações rigorosas contra aqueles que incendiaram igrejas e vandalizaram propriedades cristãs.

Os dois cristãos acusados falsamente de profanar o Alcorão, identificados como Rocky Masih e Raja Masih, foram presos e estão sob investigação por blasfêmia, um crime punível com a morte no Paquistão. A simples acusação de blasfêmia frequentemente desencadeia tumultos, linchamentos e assassinatos, mesmo que ninguém tenha sido executado pelo crime no país até o momento.

Em resposta à violência, reuniões públicas foram proibidas por uma semana no distrito de Faisalabad, incluindo a área afetada, na tentativa de conter a situação. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram manifestantes atacando prédios cristãos enquanto a polícia parece não intervir.

A violência religiosa e as alegações de blasfêmia não são novidade no Paquistão. Casos semelhantes ocorreram no passado, resultando em mortes e destruição. Grupos de direitos humanos criticam as leis de blasfêmia do país, alegando seu uso indevido para ganhos pessoais e como ferramenta de opressão.

Além disso, a recente aprovação de projetos de lei no Legislativo paquistanês tem gerado preocupações entre grupos cristãos e da sociedade civil. A emenda à Lei de Leis Criminais aumenta as punições por blasfêmia, enquanto o Projeto de Lei da Comissão Nacional para Minorias foi considerado insuficiente para proteger os direitos das minorias.

A questão da blasfêmia e da violência religiosa no Paquistão continua sendo um tema controverso e desafiador, com a comunidade internacional observando atentamente os desenvolvimentos e os desafios enfrentados pela comunidade cristã e outras minorias religiosas no país.

Exibir Gospel /Leiliane Lopes

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